terça-feira, 10 de outubro de 2017

Especial Dia das Crianças

Autoestima Infantil

Katia Horpaczky *

Onde tudo começa...
A opinião que a criança tem de si mesma está intimamente relacionada à sua capacidade para aprendizado e rendimento. A criança desenvolve muito cedo o autoconceito baseado na relação com os outros.
Os afetos são muito parecidos com o espelho. Quando demonstramos afetividade por alguém, essa pessoa torna-se nosso espelho e nós, o dela. Refletindo um no sentimento do outro, desenvolvemos o forte vínculo do amor -sentimento da essência humana.

Os pais atuam como espelhos que devolvem determinadas imagens ao filho. É através dessa interação afetiva que desenvolvemos todos os nossos sentimentos de forma positiva ou negativa. E, assim, a criança começa a construir sua autoimagem.
Quando os pais sempre opinam a partir de uma perspectiva negativa para os filhos, sempre taxados de inúteis e incapazes ou usam de zombarias e ironias, irão formar na criança uma imagem pequena de seu valor. E, se com os amigos, na rua e na escola as mesmas relações se repetirem, teremos um adulto com possível problema de baixa autoestima e dificuldades para se auto avaliar.
Quando a criança começa a perceber que tem êxito no que faz e se sente encorajada pelos pais, passa a confiar em suas capacidades e em seus recursos internos. Quanto mais ela acreditar que PODE FAZER, mais conseguirá, mais irá ousar e aprender a enfrentar e superar seus medos.
Se eles admitirem seus erros ou fracassos, a criança aprenderá, logo, que os pais não são perfeitos. Como? Que tal um "desculpa” ou “não devia ter gritado”.

Como desenvolver a autoestima na criança?
Para auxiliar a criança a criar bons sentimentos é importante elogiá-la e incentivá-la quando ela procurar fazer alguma coisa. Dessa maneira, ela perceberá que tem direito de se sentir importante, de aprender, de conseguir e que sua família a ama, apoia e respeita.

Um aspecto muito importante está em adequar as tarefas que cabem a cada idade, permitindo à criança a chance de tentar. Colocar o suco no copo (ainda que derrame), a roupa (mesmo do avesso), a jogar objetos no lixo, guardar os brinquedos, as peças do jogo, ajudar na arrumação dos seus livros, material escolar, etc.

Solicite a ajuda da criança, compartilhe pequenos afazeres e elogie sempre que ela acertar. Ensine tanto quanto for necessário, com muita paciência e tolerância.
Lembre-se de estabelecer metas realistas e adequadas à idade de seu filho. Permita que ele se desenvolva sem superprotegê-lo ou pressioná-lo e, muito menos, compará-lo a outras crianças -o erro mais frequente contra os filhos. Desta forma, a criança terá a oportunidade de formar um conceito positivo de si mesma.
Incentive-a quando ela sentir que não tem condições de realizar algo ou mesmo estiver com medo de fracassar. Talvez ela só precise ouvir de você: "Claro que você pode. Vamos, vou te ajudar."
Com uma autoestima rebaixada a criança enfrentará, de forma despreparada, seus aspectos mais desfavoráveis e eventuais manifestações externas.
A criança com autoestima adequada terá mais facilidade em fazer amigos, ter senso de humor, participar de atividades em grupos e uma maior socialização. Também saberá lidar melhor com os erros, ao mesmo tempo que tenderá a ser mais feliz, confiante, alegre e afetiva.
Os pais devem demonstrar coerência entre o que sentem e fazem com o que ensinam ao filho. Exemplo, este é o segredo para um bom começo de vida.

Kátia Horpaczky
Psicóloga Clinica, Psicoterapeuta Sexual, Família e Casal